Como ensinar de maneira eficaz?

Como ensinar de maneira eficaz?

Como ensinar de maneira eficaz?

Seu funcionário é ensinado de maneira correta? É ensinado através de uma metodologia específica para tanto? Ele sabe o motivo de fazer cada etapa de uma atividade? Ele faz as coisas de maneira consciente? Se a resposta for não, você necessita resolver isso urgentemente.

Uma das maiores causas de problemas de qualidade, tanto nas empresas industriais como nas de serviços (e neste caso as atividades relacionadas à logística não são exceção) é o fato dos funcionários não saberem realizar de maneira correta as atividades do dia a dia que lhes são atribuídas. Pode ser difícil de acreditar, mas é exatamente isso que concluí em mais de 35 anos de atividades dentro de empresas. O motivo disso não é a suposta falta de interesse dos funcionários, não é o valor do salário pago, não é o ambiente de trabalho, mas simplesmente, o fato desses não serem ensinados de maneira correta.

Os Norte Americanos há muito tempo já têm uma solução para isso. Perceberam a necessidade de ensinar de maneira correta os funcionários de suas empresas muito cedo, mais especificamente, no início da Segunda Guerra Mundial.

A origem da melhor metodologia de ensinar já vista, pelo menos em minhas pesquisas relacionadas ao assunto, foi desenvolvida nos EUA na medida em que os governantes da nação, juntamente com os militares e empresários perceberam que ao retirar das empresas um grande efetivo de homens para enviar ao combate (iniciado naquele momento), acabariam fragilizando de maneira significativa as empresas nacionais, principalmente as indústrias que desempenhariam papel também primordial, ao serem transformadas e adaptadas para produzir artefatos militares (armas, munição, uniformes, veículos, calçados, granadas, paraquedas, etc.).

Numa situação como esta, uma fábrica de calçados, por exemplo, passa a produzir coturnos de combate, uma fábrica de uniformes comuns, passa a produzir uniformes para soldados ou paraquedas para combate, uma fábrica de automóveis passa a produzir carros de combate e assim por diante.

O que os Norte Americanos concluíram na ocasião, em função desta transformação foi que: ao tirar os homens das indústrias e enviar para o combate, acabariam deixando estas mesmas indústrias com escassez de mão de obra especializada, ou seja, estariam trocando pessoas (operários) que sabiam realizar as atividades, por pessoas sem nenhuma experiência prática (foi nesta ocasião que muitas mulheres passaram a ser operárias da indústria em substituição às atividades domésticas). Isso sem dúvida afetaria de maneira significativa a qualidade dos produtos (boa parte de uso militar) e ninguém queria correr o risco ou ser o responsável por enviar para a frente de combate um paraquedas que não abrisse ou uma munição que falhasse diante da face do inimigo.

Para resolver a questão, inteligentemente selecionaram um grupo de profissionais das indústrias e das universidades com o objetivo de criar uma maneira de fazer com que os novos operários contratados para substituir aqueles com experiência (agora na frente de combate) fossem ensinados de maneira que aprendessem i) de forma rápida, ii) a não cometer erros e iii) realizassem as atividades de maneira consciente. A tarefa não foi fácil, mas a metodologia resultante deste estudo baseada em estudos de Charles Allen (1950), passou imediatamente a ser utilizada nas indústrias norte americanas. A preocupação com o ensino eficaz de operários nas indústrias provavelmente está entre os principais fatores responsáveis pelo sucesso dos norte-americanos na Segunda Guerra Mundial. O sucesso foi tanto que posteriormente o método passou a ser utilizado em vários países.

Este método faz parte de um projeto conhecido como TWI – Training Within Industry e possui quatro passos principais que devem ser aplicados com exatidão e rigorosamente na sequência estabelecida. O resultado: operário aprendendo de maneira rápida, errando muito menos e realizando as atividades de maneira consciente (sabe o motivo de realizar, por exemplo, duas costuras sobrepostas nas tiras que sustentarão o soldado em um paraquedas, não mais do que duas, pois fragilizaria o tecido pelo número de perfurações da agulha e nem menos, pois a tira se arrebentaria com o uso do mesmo).

Felizmente não estamos em guerra armada, mas nos encontramos em uma guerra de preços onde cada centavo economizado na redução do retrabalho, rotatividade e custo da não-qualidade é essencial para o sucesso. Os questionamentos que ficam são: seus colaboradores são treinados adequadamente? Seu cliente aceita defeitos no produto/serviço adquirido?

 

Hélio Diedrich é mestre em Engenharia de Produção (UFRGS) e professor do curso de Logística da Univates.

Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/4826411542311932

 

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