Menos Lucro = caixa?

A necessidade de acompanhar indicadores relacionados às finanças pessoais e empresariais é amplamente discutida. Quando pensamos nesses indicadores, principalmente nas empresas, podemos ter a impressão de que registrar as informações necessárias e a fazer os cálculos é complicado.

Realmente, a identificação do ponto de equilíbrio, margem de contribuição ou rentabilidade por produto/serviço, requer controles relacionados ao consumo de matéria prima, tempo de produção, capacidade instalada etc, tornando o acompanhamento de alguns indicadores uma tarefa mais complexa e trabalhosa. Porém, muitas vezes conceitos mais simples se confundem, induzindo o gestor a tomar decisões que podem não ser as melhores para seu negócio.

Além disso, a organização das informações sobre as finanças de uma empresa começa com o básico. Ninguém consegue identificar o ponto de equilíbrio sem antes controlar o estoque, conhecer detalhadamente todos os custos com materiais, mão de obra, etc. Inicialmente são controladas informações mais simples, para depois serem implantados os mais complexos.

Dois controles básicos que podem ser confundidos é o saldo de caixa e o lucro. Uma empresa lucrativa pode estar sem dinheiro no caixa, e o contrário também é válido: uma empresa com dinheiro no caixa pode não ter lucro. Essa situação pode causar confusão, e para simplificar, muitas vezes o saldo de caixa no final do mês é considerado lucro.

No entanto, caixa e lucro são totalmente diferentes. O saldo de caixa é formado pelos valores recebidos menos os valores que foram pagos. Dessa forma, o valor em caixa é positivo quando o total que a empresa recebeu (dos clientes ou de empréstimos) é maior do que aquilo que foi pago (para os fornecedores, funcionários, impostos).

Já o lucro, é calculado a partir das receitas (vendas realizadas) menos os custos e despesas. Uma empresa tem lucro quando consegue vender seus produtos ou serviços por um valor maior do que lhe custa fazer esse produto ou disponibilizar o serviço.

Vamos fazer um cálculo: uma empresa presta um serviço no valor de R$ 1.000. Para que pudesse prestar esse serviço, teve custos de R$ 650 (com mão de obra, materiais e impostos). Com essas informações conseguimos identificar o lucro, de R$ 350.

E como ficou o caixa da empresa? Depende das condições de pagamento negociadas com o cliente e do momento em que os custos devem ser pagos. Se o cliente vai pagar o serviço em 30 dias, e o valor da mão de obra, materiais e impostos também serão pagos futuramente, no momento da prestação de serviços, o impacto no caixa é zero. Não entrou nem saiu um real. Se o cliente pagou à vista e os custos serão pagos futuramente, há R$ 1.000 a mais no caixa; se o cliente vai pagar em 30 dias e os custos precisam ser pagos imediatamente, saem R$ 650 do caixa.

O lucro pode ser identificado no momento da prestação de serviços, porém o reflexo total desse lucro no caixa só ocorre depois que todos os valores forem recebidos e pagos.

Outra diferença é que o saldo de caixa obrigatoriamente é positivo, seu valor mínimo é zero. Se a empresa deve R$ 500 e tem apenas R$ 300 em caixa, não consegue pagar todo valor, vai ficar com caixa zerado e devendo R$ 200.

No entanto, a empresa pode ter o equivalente a “lucro negativo”, ou seja, prejuízo com uma operação. Se o valor de venda for de R$ 100 e custo de produção de R$ 120, há prejuízo.

É normal que em alguns momentos as empresas tenham caixa, mas não tenham lucro; em outros há lucro, mas falta dinheiro no caixa. Uma empresa sem caixa acaba recorrendo a empréstimos, e o pagamento de juros pode comprometer o lucro final. Uma empresa sem lucro acaba consumindo seus recursos, pois a cada venda, perde um pouco do seu patrimônio.

Não há um consenso em relação a qual dos dois é o mais importante. Enquanto alguns defendem a necessidade de lucro, outros afirmam que o que importa mesmo é ter dinheiro no caixa. Afinal, uma empresa pode ter custos não desembolsáveis (como depreciação, em função de investimentos em imobilizado) elevados e em função disso não ter lucro, mas manter saldo de caixa positivo. Por outro lado, uma empresa sem lucro dificilmente conseguirá substituir ou atualizar esse imobilizado a longo prazo, já que suas vendas cobrem apenas os custos operacionais. Isso leva a crer que o acompanhamento de ambos os indicadores se complementam. Para sobreviver a longo prazo, o ideal é que caixa e lucro estejam equilibrados.

 

Dra. Angela Maria Haberkamp

Doutora em Ciências Contábeis

Professora do Centro de Gestão Organizacional

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