O FIM DO PARADIGMA DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TICs)

Um paradigma tecnológico pode ser definido como um padrão de solução de problemas econômicos selecionados, baseados em princípios que são derivados das ciências, sendo que estes definem as oportunidades tecnológicas das inovações (CASTELLI; CONCEIÇÃO, 2015). Tigre (2005) considera que a evolução das teorias da firma à luz das mudanças tecnológicas ocorreu basicamente em três paradigmas tecnológicos, a saber: a Revolução Industrial, que foi base para a elaboração da teoria neoclássica; o paradigma Fordista, que efetivamente deu origem à economia industrial; e o paradigma das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), que está baseada nas correntes evolucionistas e neo-institucionalistas.

O paradigma tecnológico se apresenta, portanto, como a melhor prática, ou seja, a melhor forma de se produzir as coisas, sendo incorporado em praticamente todos produtos possíveis; porém, ao contrário do que se pode pensar, o paradigma tecnológico pode não ser a tecnologia mais avançada existente (CASTELLI; CONCEIÇÃO, 2015).

A trajetória da tecnologia seguida pela sociedade não pode, de forma alguma, ser considerada ótima, visto que a tecnologia utilizada é uma solução encontrada para solução de diversos problemas da sociedade. Assim, a tecnologia pode ser compreendida como um desfecho daquele momento. Dessa forma, pode-se considerar que o impacto das TICs sobre a economia e a sociedade trouxe à tona conceitos que procuram caracterizar novas formas de organização da produção, fontes de competitividade e demais transformações em curso em um ambiente social e produtivo.

Castelli e Conceição (2015) asseveram que à medida em que um paradigma se difunde, ele cria uma trajetória, associada com o desenvolvimento progressivo de oportunidades de inovar que estão relacionadas a ele, o que determina a forma como as economias se transformam ao longo dos anos. Percebe-se claramente como as TICs se difundiram e abriram espaço para inúmeras inovações nas empresas, como novos sistemas de informação, que permitiram a organização e compilação de dados, responsáveis por gerar informações que dão suporte a uma melhor tomada de decisão. A forma com que as empresas se comunicam e fazem negócios também foi consideravelmente afetada pelas TICs.

No entanto, pode-se considerar um paradigma como um ciclo, que tem um começo e um fim, e o fim de um paradigma ocorre no momento em que este já está altamente difundido. Como pesquisador da área de Tecnologia da Informação, venho observando a evolução do nosso campo de estudo ao longo dos últimos anos, bem como o impacto e a transformação de diversas empresas a partir da adoção de TICs e, diante disso, arrisco afirmar que estamos chegando ao fim do paradigma das TICs, visto que esta tecnologia já está presente em praticamente todas as empresas e transformou a nossa forma de fazer negócios e de nos relacionar com as pessoas.

Entendo que este ciclo esteja se encerrando, pois hoje não é possível que uma empresa se diferencie das demais simplesmente por meio da utilização de sistemas de informação, visto que a tecnologia já está disponível a qualquer empresa, e o preço para acessá-la está cada vez mais em conta.

Castelli e Conceição (2015) consideram que ao fim da sua trajetória, o paradigma tecnológico estará sendo utilizado nos mais diversos aspectos produtivos capitalistas e na maneira com que os indivíduos vivem suas vidas; neste momento, a tecnologia que, outrora foi tida como uma grande inovação, chega ao seu limite, dando margem ao surgimento de uma nova inovação tecnológica e, por conseguinte, ao surgimento de uma nova inovação.

Você, leitor, arrisca dizer qual será o nosso próximo paradigma tecnológico ou que tipo de inovações estão por vir?

Artigo do professor Gabriel Machado Braido – Mestre em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professor do Centro de Gestão Organizacional da Universidade do Vale do Taquari – Univates.

REFERÊNCIAS

CASTELLI, J. R.; CONCEIÇÃO, O. A. C. Instituições, mudança tecnológica e crescimento econômico: uma aproximação das escolar neo-schumpeteriana e neo-institucionalista. In: XX Encontro Nacional de Economia Política, Foz do Iguaçu/PR, Anais…, 2015.

TIGRE, P. B. Paradigmas tecnológicos e teorias econômicas da firma. Revista Brasileira de Inovação, v. 4, n. 1, p. 187-223, 2005.

Menos Lucro = caixa?

A necessidade de acompanhar indicadores relacionados às finanças pessoais e empresariais é amplamente discutida. Quando pensamos nesses indicadores, principalmente nas empresas, podemos ter a impressão de que registrar as informações necessárias e a fazer os cálculos é complicado.

Realmente, a identificação do ponto de equilíbrio, margem de contribuição ou rentabilidade por produto/serviço, requer controles relacionados ao consumo de matéria prima, tempo de produção, capacidade instalada etc, tornando o acompanhamento de alguns indicadores uma tarefa mais complexa e trabalhosa. Porém, muitas vezes conceitos mais simples se confundem, induzindo o gestor a tomar decisões que podem não ser as melhores para seu negócio.

Além disso, a organização das informações sobre as finanças de uma empresa começa com o básico. Ninguém consegue identificar o ponto de equilíbrio sem antes controlar o estoque, conhecer detalhadamente todos os custos com materiais, mão de obra, etc. Inicialmente são controladas informações mais simples, para depois serem implantados os mais complexos.

Dois controles básicos que podem ser confundidos é o saldo de caixa e o lucro. Uma empresa lucrativa pode estar sem dinheiro no caixa, e o contrário também é válido: uma empresa com dinheiro no caixa pode não ter lucro. Essa situação pode causar confusão, e para simplificar, muitas vezes o saldo de caixa no final do mês é considerado lucro.

No entanto, caixa e lucro são totalmente diferentes. O saldo de caixa é formado pelos valores recebidos menos os valores que foram pagos. Dessa forma, o valor em caixa é positivo quando o total que a empresa recebeu (dos clientes ou de empréstimos) é maior do que aquilo que foi pago (para os fornecedores, funcionários, impostos).

Já o lucro, é calculado a partir das receitas (vendas realizadas) menos os custos e despesas. Uma empresa tem lucro quando consegue vender seus produtos ou serviços por um valor maior do que lhe custa fazer esse produto ou disponibilizar o serviço.

Vamos fazer um cálculo: uma empresa presta um serviço no valor de R$ 1.000. Para que pudesse prestar esse serviço, teve custos de R$ 650 (com mão de obra, materiais e impostos). Com essas informações conseguimos identificar o lucro, de R$ 350.

E como ficou o caixa da empresa? Depende das condições de pagamento negociadas com o cliente e do momento em que os custos devem ser pagos. Se o cliente vai pagar o serviço em 30 dias, e o valor da mão de obra, materiais e impostos também serão pagos futuramente, no momento da prestação de serviços, o impacto no caixa é zero. Não entrou nem saiu um real. Se o cliente pagou à vista e os custos serão pagos futuramente, há R$ 1.000 a mais no caixa; se o cliente vai pagar em 30 dias e os custos precisam ser pagos imediatamente, saem R$ 650 do caixa.

O lucro pode ser identificado no momento da prestação de serviços, porém o reflexo total desse lucro no caixa só ocorre depois que todos os valores forem recebidos e pagos.

Outra diferença é que o saldo de caixa obrigatoriamente é positivo, seu valor mínimo é zero. Se a empresa deve R$ 500 e tem apenas R$ 300 em caixa, não consegue pagar todo valor, vai ficar com caixa zerado e devendo R$ 200.

No entanto, a empresa pode ter o equivalente a “lucro negativo”, ou seja, prejuízo com uma operação. Se o valor de venda for de R$ 100 e custo de produção de R$ 120, há prejuízo.

É normal que em alguns momentos as empresas tenham caixa, mas não tenham lucro; em outros há lucro, mas falta dinheiro no caixa. Uma empresa sem caixa acaba recorrendo a empréstimos, e o pagamento de juros pode comprometer o lucro final. Uma empresa sem lucro acaba consumindo seus recursos, pois a cada venda, perde um pouco do seu patrimônio.

Não há um consenso em relação a qual dos dois é o mais importante. Enquanto alguns defendem a necessidade de lucro, outros afirmam que o que importa mesmo é ter dinheiro no caixa. Afinal, uma empresa pode ter custos não desembolsáveis (como depreciação, em função de investimentos em imobilizado) elevados e em função disso não ter lucro, mas manter saldo de caixa positivo. Por outro lado, uma empresa sem lucro dificilmente conseguirá substituir ou atualizar esse imobilizado a longo prazo, já que suas vendas cobrem apenas os custos operacionais. Isso leva a crer que o acompanhamento de ambos os indicadores se complementam. Para sobreviver a longo prazo, o ideal é que caixa e lucro estejam equilibrados.

 

Dra. Angela Maria Haberkamp

Doutora em Ciências Contábeis

Professora do Centro de Gestão Organizacional

Nota oficial de Esclarecimento

A empresa SCALA TRANSPORTE E ADMINISTRAÇÃO LTDA., ainda consternada com o sinistro ocorrido na última noite, 16 de agosto/2018, no km 114 da BR 290, no município de Eldorado do Sul/RS, informa que Alexsander da Silva Lacerda, motorista profissional da Scala que conduzia o veículo no momento do fato, não sofreu ferimentos, está bem e recebendo todo apoio necessário da equipe responsável. Ainda, pela oportunidade, manifestamos profundo sentimentos aos familiares do motorista do outro veículo que, ao invadir a pista de rolamento, acabou por colidir e, posteriormente, levou este à óbito.
Aproveitamos para enaltecer o trabalho desempenhado da PRF, do Corpor de Bombeiros e por toda a equipe Scala de Instrutores e Técnicos que estão prestando atendimento ao fato e por serem, estes, os grandes responsáveis por treinar, instruir e preparar os nossos motoristas para usarem suas habilidades em situações como esta, com intuito máximo de salvar vidas. Sempre.

O investimento externo na logística das empresas

As empresas têm apresentado nos últimos anos poucos recursos financeiros. Além disso, com altos investimentos para custear suas frotas, e a necessária redução dos demais recursos, as empresas não têm conseguido alinhar todas suas práticas e esforços para foco no negócio. Ler mais

Experiências em ambientes organizacionais – parte 2

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Conforme o último texto publicado neste espaço, hoje daremos continuidade ao relato das experiências em ambientes organizacionais, que um grupo de universitários e professores da Univates vivenciou entre os dias 21 e 26 de maio de 2018, em São Paulo. Ler mais

Experiências em ambientes organizacionais – parte 1

Experiências em ambientes organizacionais

 

Este texto é a primeira parte de relatos de experiências em ambientes organizacionais que um grupo de universitários da Univates vivenciou entre os dias 21 e 26 de maio de 2018. O grupo composto por 21 estudantes dos cursos de Logística e Gestão Financeira, mais dois professores, realizou a viagem de estudos com destino à cidade de São Paulo/SP. Esta viagem está inserida em uma disciplina chamada de Vivência, que objetiva possibilitar aos estudantes uma “imersão” em um novo contexto pelo período de uma semana.

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Logística e Contabilidade

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Para escrever sobre o tema, buscou-se identificar as relações existentes entre si, assim como a contribuição que elas podem proporcionar uma a outra e ambas para os negócios. De forma resumida, a contabilidade é responsável pela geração de informações para a gestão de qualquer empreendimento, apesar do grande envolvimento que lhe é atribuído no atendimento das questões fiscais e legais. A logística, por sua vez, tem a função de dispor mercadorias e serviços de forma rápida e com informações precisas, de acordo com as necessidades dos clientes, no lugar e na hora certa, agregando valor a atividade. Ler mais