Agronegócios e Logística – uma relação fundamental

Agronegócios e logística

 

A logística, como vem sendo dito, é integrada por diferentes processos, desde a aquisição de insumos para a produção, passando pela movimentação interna, armazenagem e distribuição. Neste contexto é possível incluir o conceito de agronegócio com a sua ampla aplicação. É possível visualizar as atividades antes da porteira, dentro da fazenda ou das agroindústrias e o transporte de grãos ou produtos processados.

O agronegócio brasileiro vem alcançando recordes de produção e exportação há, pelo menos, 20 anos, repetindo bons desempenhos, mesmo em tempos de crise. Porém, há um fato que, ao contrário do anterior, é negativo. A despeito dos bons resultados na produção temos os gargalos na infraestrutura e no sistema de logística do transporte, que representam um dos maiores entraves para o pleno desenvolvimento do agronegócio, pois aumentam o tempo e os custos totais.

É preciso investir para superar as deficiências em termos de logística de transporte (rodovias, ferrovias e portos) que são deficitárias. As vias de escoamento da safra não funcionam de forma eficiente. A maior parte da produção é escoada pelo modal rodoviário, a um custo maior do que as ferrovias e hidrovias. O sistema portuário, embora tenha evoluído nos últimos anos, ainda apresenta carências. Mesmo sendo sabedor de tal situação os atores, principalmente os governos, pouco tem feito para contornar esse fenômeno. O agronegócio precisa de soluções mais rápidas e mais eficientes. Talvez seja necessário cogitar a maior presença da iniciativa privada sob supervisão do Estado.

De acordo com a ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio, hoje o agronegócio brasileiro é movimentado por portos das regiões sul e sudeste, porém estes encontram-se saturados. Outro aspecto importante é o predomínio do modal rodoviário no país. Seria necessário investir na melhoria dos eixos de transporte para os portos da região norte, bem como investir em ferrovias.

Todavia, sem negar a necessidade de expandir a malha rodoviária pavimentada, tornar os portos mais eficazes, voltar os olhos para o norte, é preciso estabelecer um planejamento logístico de longo prazo que contemple: a intermodalidade, a armazenagem, a qualificação dos profissionais da área, a disponibilização de energia, as questões tributárias. Enfim, é preciso pensar de forma sistêmica, pois um resultado ótimo em uma das partes somente não será suficiente. É preciso pensar toda a cadeia de suprimentos.

Carlos Candido da Silva Cyrne é doutor em Ciências (UNIVATES), Presidente da FUVATES, Vice-Reitor, Pró-Reitor de Ensino e professor do curso de Logística da Univates.

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0284932812958302

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

19 + 16 =